CONTOS AO LUAR
Conteúdo atualizado em19 de agosto de 2026às 18:42
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É na roda que fio um conto redondo, redondinho, como novelo em ponto de contar. De fio em fio tece-se um instante, palavras que passam e ficam sem se deixarem prender. Nasci em Évora num domingo e, talvez por isso, seja dada ao vagar. Vivi na rua onde morou Florbela Espanca. Gosto da côdea do pão acabado de cozer. A minha casa ficava por cima da minha primeira escola. Rua abaixo, rua acima, fui apre(e)ndendo o mundo. Aprendi matemática na mercearia do Sr. Ângelo. Percebi que o caminho dói quando o Sr. Moreira me punha meias solas nos sapatos, gastos pela brincadeira. Aprendi a escutar, ouvindo as estórias da vizinhança contadas pela D. Vicência e pela D. Victória. Tive um grilo e dois canários. Aprendi o cuidar e o dizer adeus. O cheiro a café devolve-me a casa. São os pássaros que acordam a manhã à minha janela. Quis ser professora.
Aos 18 anos, Lisboa foi-me demasiado barulhenta. Formei-me na Universidade de Évora. Continuo a enviar postais, escritos à mão. Numa cozinha aprendi a contar grãos. Contar o tempo. Contar a vida. Acareio tudo quanto é memória. Não vivo sem livros. Sou mediadora de leitura. Conto histórias. Viajo muito ao redor de mim nas viagens que faço pelo mundo. Tenho mãos inquietas. Faço livros de pano e pastéis de nata. Tenho o vício dos livros antigos. O lume de chão é-me companhia onde a Palavra é encontro com o mundo e com o outro. A palavra une, desembaraça e abraça. Os Contos ao Luar convidam todos os que ainda gostam de escutar o mundo através das palavras, a sentar-se, ouvir e deixar a imaginação viajar com as histórias.
Destinatários: Público em geral