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Casa Varela
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Casa Varela - Centro de Experimentação Artística
A história da Casa Varela remonta aos anos 30 do século XX. Foi encomendada ao conhecido arquiteto Ernesto Korrodi, com o objetivo de servir de habitação familiar, aos três filhos do Sr. Varela, no centro da então vila de Pombal com uma arquitetura exemplar e rica, como era típico nas famílias nobres da zona centro. A família Varela terá tido a sua origem em Aveiro e tem-se conhecimento dela em Pombal desde os princípios do séc. XIX. Na cidade, eram proprietários de uma loja onde vendiam de tudo. O edifício solicitado ao arquiteto, por decisão familiar acabou por sofrer uma mudança em relação aquilo que era expectável, de habitação familiar alterou-se o interior para edifício comercial, permitindo à família a expansão do seu negócio para um armazém grossista.
A família Varela era também ligada às artes, onde pontificavam uma mãe professora de piano, apaixonados por violas e um grupo musical composto por membros da família. Destaca-se da família também, Gregório Varela criador do jornal “Terra-Mãi” (1934-1938), sendo ele também, o autor do argumento do filme “Fado Hilário”, protagonizado por Amália Rodrigues.
A Casa Varela era na altura o edifício mais alto da cidade e que se destacava entre o restante casario, visto dos pontos mais altos, da ainda Vila de Pombal. Localizada no cruzamento da Rua de Leiria (ponte Dona Maria Tereza, construída em 1793) e a Rua da Fábrica Velha, em pleno centro histórico. Às suas portas passava a Nacional 1, à sua esquerda a linha de comboios principal do país, com as cancelas que permitiam a passagem para o centro da Vila. Do lado direito, o rio Arunca e o Largo do Arnado onde era, nesta época, o mercado onde se reuniam as multidões das aldeias e terras limítrofes, para a venda de gado e outros produtos agrícolas. Os Armazéns Varela abasteciam toda a cidade e as freguesias locais.
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Ocupação inicial do edifício
A Casa Varela era composta por quatro pisos. O piso da linha ribeirinha era utilizado como armazém onde se guardavam sacas de produtos, e onde se realizava a seca do bacalhau.
No piso ao nível da ponte, situava-se a loja grossista com 4 portadas sempre abertas na fachada principal do edifício, de frente para a estrada nacional. Esta loja com um balcão a todo o comprimento e os seus móveis altos, apresentava todo o tipo de produtos a granel. Neste mesmo armazém, existia um escritório construído em madeira com a linha do arquiteto, que no interior serviu de agência do Banco Fonsecas & Burnay e do Banco Nacional Ultramarino, onde se faziam câmbios de moeda, seguros, entre outros. No vão de escada de acesso aos outros pisos do edifício, podia encontrar-se o conhecido “Chico Gravateiro” que mantinha uma pequena venda de quinquilharia de todo o género, muito usual destes tempos por baixo dos vãos de escadas nas entradas dos prédios de serviços.
O primeiro piso serviu de salão de festas e casamentos do histórico restaurante “Império”. Neste andar houve também uma loja grossista de retrosaria. Já o 2º andar, funcionava com uma lógica de arrendamento de espaços onde chegaram a estar instalados a sede do PSD, um gabinete de arquitetos, sala de aula de apoio à escola, sede de inspeção militar, entre outros serviços.
Os Armazéns Varela começaram a sua atividade como grossistas e só mais tarde iniciaram a venda a retalho. Considerando que a atividade cessou na década de 90, devido à incapacidade, por um lado, de suportar a concorrência das grandes superfícies e, por outro, de fazer face à deterioração do edificado, o edifício foi progressivamente perdendo a sua ocupação criando assim a necessidade de uma recuperação e requalificação do mesmo.
A centralidade da cidade de Pombal no campo das práticas culturais com expressão no território, aliada à carência de um equipamento multidisciplinar que pudesse acolher e promover espaços criativos e de experimentação artística, foram cruciais para a conjugação de duas vertentes: a requalificação urbanística de um edifício histórico com reconhecido valor arquitetónico e a promoção do desenvolvimento cultural da comunidade.
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Requalificação urbanística
O princípio da intervenção da recuperação da Casa Varela tinha como premissa uma recuperação digna, mantendo o carácter original do edifício e o seu valor arquitetónico e histórico.
O edifício mantém hoje o seu original estilo da arquitetura de Ernesto Korrodi, um dos pioneiros e dos mais bem-sucedidos arquitetos da Arte Nova em Portugal, tendo recebido o Prémio Valmor por duas vezes. É autor de cerca de 400 projetos em Portugal.
Perante as características únicas do edifício, a metodologia e os critérios da obra basearam-se no restauro, procurando - sem esquecer o passado da casa - transformá-la num equipamento cultural. Para dar resposta a esta necessidade, introduziu-se uma rede de infraestruturas e esta foi, segundo os arquitetos e engenheiros envolvidos, “uma das maiores alterações” no prédio em causa dado que se encontrava em degradação, o objetivo prendia-se igualmente com a segurança e a melhoria das condições estruturais do edifício.
Disposto em quatro pisos e pautado por uma planta peculiar, o edifício viu serem recuperados os vãos exteriores e interiores, carpintarias, paredes, revestimentos, pavimentos em soalho de madeira, tetos e a cobertura, mantendo a traça e os materiais, o que decorreu entre 2016 e 2020.
As intervenções e materiais escolhidos para as obras de reabilitação respeitaram o projeto original de Korrodi, tanto ao nível de fachada, da cobertura, beirados, das bicas e capas, bem como, a estrutura da cobertura pombalina e a recolocação integral dos vãos originais exteriores restaurados. O edifício foi alvo de dois tipos de intervenção: obras de construção de raiz e obras de restauro. As obras a executar de raiz implicaram a demolição integral de algumas áreas. O avançado estado de degradação das madeiras no interior da edificação, aliado aos problemas estruturais dos pisos, despoletou a necessidade de demolir todo o seu interior mantendo apenas os planos das fachadas e a cobertura, preservando assim a sua identidade enquanto edifício, classificado em 2012 como Património Arquitetónico Referenciado.
As caixilharias do escritório do Sr. Varela que serviu de banco, foram retiradas e para posterior aplicação mantendo o seu aspeto original, melhorando e preservando a qualidade da madeira.
Foram feitos trabalhos de demolição no interior do edifício, para executar as obras de reconstrução. Foi recolocada a cobertura no seu estado original, apenas com melhoramento do Isolamento. Esta intervenção pretendeu tirar o máximo partido da sua implantação, pois dada a sua posição geográfica, encontra-se localizado num sítio privilegiado com vistas sobre o Rio Arunca sendo que, em 2010, toda a sua envolvente sofreu uma requalificação a nível de acessos e espaços verdes.
Numa aposta na valorização de ativos patrimoniais para fins culturais e artísticos, pretende-se promover a qualificação infraestrutural e técnica dos equipamentos culturais municipais, para a regeneração urbana do território onde venham a ser instalados e para a coesão social e territorial.
O Município de Pombal pretendeu responder ao desejo da matriarca da família Varela e dar um fim cultural ao edifício. Criou-se um novo espaço vocacionado para a criação artística, para a promoção da arte contemporânea e do design industrial, que permite a realização de residências artísticas, nas mais diversas áreas, com espaços criativos e de experimentação, área de serviço educativo, salas de exposição, oficinas, espaço de apresentação de performances e exposições abrangendo as diferentes artes: música, artes cénicas, pintura, escultura, arquitetura, literatura, cinema, fotografia, banda desenhada e novos média arte sendo um natural local de encontro de diferentes atividades profissionais, incentivando a implementação de indústrias criativas. Atendendo à localização central do país e da riqueza cultural do território onde está inserido, propõe-se que este seja um espaço de intervenção social e cultural, um relevante catalisador de dinâmicas culturais e educativas, um local de afirmação da experimentação e aprendizagem que visa potenciar o desenvolvimento das comunidades, contribuindo para a igualdade de oportunidades e democratização no acesso à informação, ao conhecimento, às expressões artísticas. A interculturalidade, a valorização da diversidade e a integração social é uma das premissas que possibilitam uma reafirmação cultural no campo da cidadania, acolhendo o encontro e promovendo a proximidade entre as artistas convidadas e as comunidades locais.
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Públicos-alvo
Embora localizando-se no concelho de Pombal, entende-se que um projeto com a ambição da Casa Varela - Centro de experimentação artística, tem como território-alvo todo o seu território, a região de centro e o território dos restantes 25 concelhos que integram a Rede Cultura 2027, mas também todo o território nacional e internacional. Considerando as características do projeto, a Casa Varela pretende estimular a troca de experiências e conhecimentos entre artistas das mais variadas artes. As residências artísticas destinadas a artistas nacionais e internacionais, têm o condão de incentivar a criação e a produção artística promovendo constantemente a criação e a imaginação. Sendo assim, o principal segmento-alvo é constituído pelo público especializado em arte - o que inclui investigadores, artistas, comissários e curadores de artes, mas também pelo público escolar (alunos e professores, diferentes ciclos de ensino, incluindo ensino superior), pelo público familiar e por turistas e visitantes.Aproveitando a sua localização geográfica privilegiada, a Casa Varela tem as condições ideais para concretizar o grande potencial de articulação com todos os municípios, com diferentes projetos de cooperação cultural, estando em processo a celebração de acordos de cooperação com escolas de artes e associações de expressão artística em várias áreas.
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Atividades e projetos
Após um processo de cuidada requalificação da Casa, deu-se a sua abertura das atividades ao público no primeiro trimestre de 2021, num ano de muitos constrangimentos para o setor cultural, causados pelo confinamento obrigatório, provocado pelo COVID-19. O Projeto Casa Varela viu adiada a abertura de portas ao público, com atividades e projetos presenciais cancelados e suspensos. A redefinição da apresentação do trabalho dos artistas ajustou-se à necessidade de não parar a criação, criando uma dinâmica contacto com o público e com os artistas num contacto regular pelas redes sociais. Neste âmbito, destacamos o projeto P280 (regular de 2 em 2 dias) com a apresentação de 28 personalidades ligadas à cultura nacional.
Com o aliviar das medidas de contingência, a casa abriu portas ao público dia 08 de março, com apresentação da primeira residência artística, em agenda desde 2020. Desde a abertura ao público e até ao final do ano de 2021, foram realizados 15 projetos em residência, com a presença de 32 artistas. Da totalidade dos artistas em residência, foram presentados em público 12 artistas nas áreas artísticas de música, teatro, dança contemporânea, pintura, fotografia e media art traduzidas em exposições, ensaios abertos e espetáculos.
O ano de 2022 está a superar as expectativas iniciais. O testemunho dos artistas tem sido muito positivo, sendo o projeto avaliado por cada artista no final da sua residência.
Tem sido muito interessante ver o interesse pela própria história do edifício e da região, maioritariamente os projetos acabam por ter influência do local.
A recuperação arquitetónica de um dos edifícios mais emblemáticos da cidade de Pombal constitui em si um marco importante para a identidade de uma comunidade comprometida com o futuro, mas também orgulhosa do seu passado e dos símbolos que povoam o seu imaginário coletivo. O conceito escolhido para dar uma nova vida à Casa Varela é, sem dúvida, um dos projetos mais relevantes lançados pelo Município para o crescimento de uma cidade criativa e empreendedora, alfobre natural de ideias criativas aplicadas às soluções sofisticadas e inovadoras, à criação em várias áreas das artes e saberes e á criatividade industrial. A Casa Varela centro de experimentação e criação artística, tornou-se um desígnio partilhado por todos, uma porta aberta da cidade para a comunidade receber e entender a arte. Ambiciona-se que as práticas culturais e artísticas sejam multiplicadas por um conjunto descentralizado de agentes, diverso nas formas e nos espaços de apresentação em que atinjam um patamar de visibilidade e reconhecimento que gere um reconhecimento local, nacional e internacionalização do concelho. Da vontade de interação entre a cultura e a comunidade, o apoio às artes e aos artistas, a cidade passa a ser palco de cultura, espaço de coesão e diversidade, de diálogo de gerações e de territórios, de diversidade de expressões. Uma nova visão sobre as artes e sobre os artistas estão nas dimensões da criação contemporânea, da programação artística e cultural e da promoção e dinamização das artes e de como as receber.
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Localização e horários
Rua de Leiria Nº 4, 3100 - 443 Pombal, Portugal
Horário Funcionamento
Geral: Segunda a Sexta-feira das 9h às 12h30 e das 14h às 17h30.
Presença de colaboradores: Terça a Sexta-feira das 9h às 12h30 e das 14h às 20h30.
